Sobras do Radiohead.E parece que o Ok Computer não acabou…..

Antes de começar,uma contextualização.Em 20 de maio de 1997,o Radiohead botava nas lojas seu mais ambicioso e melhor projeto,o disco Ok Computer.O disco tratava,dentre sua melancolia e eletronices,da relação homem-máquina,coisa que ficou mais em voga depois com o filme Matrix (aquele do Keanu “Neo” Reeves) e o final do século então vigente.

Pois esse disco envelheceu muito bem,como bem sabemos.Suas i(n)diocracias também,e aquilo marcou muito,principalmente a mim,quando comprei o disco depois de ver o clipe de Karma Police no antigo TOP 10 EUA da MTV Brasil.E ainda é muito bom ouvir esse disco.Desde a abertura etérea Airbag até o final The Tourist,em um disco muito influenciado pelo Pink Floyd,basta ouvir Exit Music(for a Film) e entender.

Eis que vinte e dois anos depois,e já tendo lançado sua versão estendida de aniversário Ok Computer 20:OKNOTOK com o disco original remasterizado,várias demos e versões ao vivo e cinco músicas inéditas surge de forma inesperada na internet todas as sessões do disco,com várias faixas ao vivo que entraram no disco,como a citada Airbag,Electioneering e o clássico Paranoid Android,além de mais faixas inéditas e jams descartadas.

Tudo foi disponibilizado a todos por um hacker que exigiu US$ 150 mil para a banda para retirar da internet (como se fosse possível…..).Em resposta a ameaça,o baixista Jonny Greenwood anunciou pelo seu twitter que colocaria o disco (chamado no arquivo de Minidiscs Hacked) a disposição no bandcamp oficial da banda,além de colocá-lo a venda por 18 libras (uns 50 reais) e doar o dinheiro arrecadado para a organização movimento sociopolítico Extinction Rebellion, que busca exercer uma resistência não-violenta para evitar um colapso ecológico.

E o disco…..

O disco em si não tem muita novidade para quem comprou a versão nova,mas demonstra como a banda trabalhou em cima das ideias do disco de forma inspirada e muito afinco.São faixas como I Promise,que deram origem a outras como a já conhecida dos fãs True Love Waits dentre outras jam sessions.Acho que é um exercício fantástico para quem é fã(ou não) ouvir como uma banda trabalha num estúdio de gravação,desenvolvendo suas ideias,experimentando outras e assim formando uma música,um conceito,etc.

Eu gosto muito dessas coisas,apesar de as vezes cansar ouvir muita ideia não aproveitada.Mas é um discaço,e vinte anos depois só comprova isso.

E isso mostra que o Radiohead sempre soube o que fazer com esse disco e consequentemente com sua obra.As máquinas venceram novamente…..

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Lollapalooza:a música perdeu

Depois de muito tempo sem escrever muita coisa:só dois textos depois de uns anos sem internet,finalmente estou aqui para falar de música sem tabus e outros queijandos que geralmente ficam de fora até de sites especializados.Não me deram credencial,tudo bem,mas vi na TV e ouvi no rádio, e ficou de ótimo tamanho.

Sim,porque acima de tudo jornalismo é sobre e como relatar os fatos.Eu,como estudante da área aprendo sobre isso desde o primeiro ano e sempre vejo gente mais experiente e gabaritada rodando bonito porque não sabe botar os pingos nos is.

Mas,vamos ao ponto do post:o festival Lollapalooza,que neste fim de semana esteve agitando o autódromo de Interlagos,com muita polêmica sobre seu line-up e que piorou mais com os preços dos produtos ali vendidos.Independente da cidade ser a mais rica do país mas como se não bastasse um ingresso para os três dias a R$ 1000,ainda tínhamos pérolas aos porcos como pastel e pizza(um simples pedaço)a 18 e cerveja (de 300 ml) a 15!

Também tenho reparado nas fotos da música e da assessoria do evento o número de gente feliz e sorridente como se tivesse num comercial de margarina,indie,claro.Não que seja um cara melancólico,mas não entendo o que se passa nessas cabecinhas coloridas e ridiculas.Sobre os protestos nos palcos(leia abaixo)só digo uma coisa:lamento tamanha alienação.

Nos palcos,sobretudo nas atrações nacionais muita coisa brega (é bom que se diga) e “lacradora”.Cantoras pop,ou que querem assim sê-lo,como Duda Beat e Letrux fizeram seus números ao mesmo tempo que chamaram a atenção para xingamentos de quinta série contra o presidente Jair Bolsonaro e até mesmo “ativismos” como o de Letrux pedindo a libertação(haha) de Lula e Duda Beat pedindo a libertação de Rennan da Penha,do hypado Baile da Gaiola,alvo de operações da justiça carioca que a acusa de apologia ao crime.

E o rock?Sim,teve também,ótimos  shows dos Autoramas(com o supracitado trocadilho de tocar num autódromo),Scalene e Molho Negro,isso sem falar dos gringos Twenty One Pilots,The Struts e claro,Greta Van Fleet.E vamos ao que interessa:

Autoramas

Tive o prazer de assistir a quatro shows deles nesses 20 anos de estrada e ficam sempre melhores,isso falando de uma nova formação que está há dois somente!E teve músicas do disco novo Libido e claro,os clássicos:Você Sabe,Fale Mal de Mim,Carinha Triste,A 300 km/h,dentre outros.E a interação entre os músicos é a melhor possível,falando também do casal Gabriel Thomaz e Érika Martins.E digo lhes,que dupla da porra!

Molho Negro

O trio impressionante de Belém do Pará trouxe ao palco do festival o disco Normal,seu terceiro na carreira e tocando no ultimo volume e com uma velocidade impressionante.Também impressiona como eles são fortemente influenciados pelos Autoramas acima,no que diz respeito a tudo praticamente:timbres,efeitos,crueza e um ótimo senso pop.Destaque para Muito Obrigado aos Patrocinadores(letra irônica num festival cheio de marcas), O Jeito de Errar dentre outras.Foi ai que começou o “que se foda o Bolsonaro”,falado pelo vocalista João Pedro.O primeiro dos achaques.

Scalene

Certamente a atração brasileira mais conhecida do festival,ao lado dos Tribalistas e de Gabriel,O Pensador.Eles que tocaram praticamente para ninguém em 2015 voltam com a carreira girada em 360,muito por conta do reality show Superstar,o que fez a banda lançar disco por major,tocar em rádio,na MTV e claro,no tamanho dos shows e fãs.Tocaram alguns sucessos como Danse Macabre e Surreal,do primeiro disco Real/Surreal,mas passearam pelas principais músicas dos três discos lançados,além de uma inédita,a chata e clichê Desarma,com participação do rapper BK.Certamente poderiam ter um horário melhor,que aliás desde o inicio sempre desmereceu os artistas nacionais,com exceção de O Rappa e Planet Hemp em anos anteriores.Uma pena.

Sobre os shows internacionais:

Portugal,the Man

Precedido por um protesto de movimentos indígenas a favor da demarcação de terras e contra a devastação das florestas tupiniquins,o show dos “indies de fato” Portugal,the Man foi muito interessante,mesmo com apenas dez músicas.

Calcado no disco Woodstock,laureado com um Grammy,a banda fez o que realmente se esperaria de uma legitima banda indie de fato:esquisitice,no bom sentido.Com direito a mensagens engraçadas,em português,na plateia.Show muito bom,diga-se.

The Struts

Da mesma forma que comparam a sensação Greta Van Fleet ao Led Zeppelin até cansar,o mesmo acontece com os Struts,só que com o Queen.A banda tem todos os trejeitos que a fazem serem comparada não só com o quarteto inglês mas com o rock setentista como um todo:vocais potentes,solos lacinantes,cozinha muito firme e muita,mas muita fleuma.E particularmente isso que dá a graça nesse sentido,porque você realmente observa ótimas canções muito bem executadas e não somente bafão.O pessoal da 89FM de SP realmente estava cantando a bola:a banda tem muito futuro.

Twenty One Pilots

De todos os shows de rock do festival foi o que menos gostei.Achei muito espetáculo visual e pouca música,com direito a carro em chamas.O duo de Columbus,Ohio realmente se esforçava para encantar o grande publico que estava lá para vê-los,mas as musicas poderiam ter mais destaque,certamente.Já não tinha gostado da primeira vez que os vi também no Lolla,pela TV.E infelizmente dessa vez não ornou.

Greta Van Fleet

“Olê,olê,olê,olê,Greta,Greta!”Era o que se ouvia depois do fantástico show no festival.Praticamente com o jogo ganho,os moleques de Michigan entraram no palco sabendo da responsabilidade de se fazer um ótimo show,e não decepcionaram nenhum pouco.Intercalando músicas do EP From the Fires e do primeiro disco Anthem for a Peaceful Army,o quarteto foi espetacular.Uma coisa que estou reparando há tempos é que o vocalista Josh Kiesza faz seus agudos serem mais altos do que toda a potência do amplificador do seu irmão gêmeo,o guitarrista Jake.E tanta dedicação foi um dos motivos para problemas na laringe e o cancelamento de vários shows,só retomando agora na América do Sul.E ele é um espetáculo a parte,com certeza,sem desmerecer em nada aos seus companheiros de banda.Top 1 de shows no Lolla.

Arctic Monkeys

Tenho que confessar que esperei a “polêmica” sobre o ultimo disco dos macacos do ártico passar para ouvir melhor o álbum.E achei sensacional,e como eles envelhecem bem.Não que eles abandonaram o rock,longe disso,mas tocam de um jeito mais maduro,inclusive antigas músicas,como I Bet Look Good on the Dancefloor,que esteve no show,pautado muito por canções novas.Muita gente reclamou que eles não interagiram com os fãs,mas a verdade é que nunca fizeram isso,e sempre foram inteligentes demais para caírem em gargalos.

Espero que continuem com sua excelente discografia.

Enfim,essas foram as minhas opiniões muito sinceras sobre o festival.Mas ainda tem muito mais,para completar….

Sobre o festival,considero três pontos:

1- Houve pânico no local sim,pessoas tiraram fotos de seguranças e policia os empurrando para fora do autódromo(há várias delas no twitter)e quem desistiu do festival simplesmente não será reembolsado por isso,mesmo com a promessa da Budweiser,e não da organização,de que os shows cancelados seriam remarcados.Também houve uma menina que fraturou a perna e simplesmente não foi atendida.

2-Funk poderia ser mais música(se saísse do binômio sexo/dinheiro).Enquanto o próprio “movimento” não se toca,vai ser caso de policia sempre.

3-A música perdeu,isso que fico pensando sobre o festival.Quer falar de politica,mas não falam do preço dos ingressos e dos abusos cometidos no evento.Algo de errado não está certo.

Grande abraço e até o próximo post.

A nau do adeus

A morte de Eurico me pegou de surpresa,confesso.Para o bem e para o mal,ele é(não vou usar o tempo passado aqui)símbolo do que queremos,ou não queremos para o futebol brasileiro.Possuía qualidades que de toda forma não deveríamos menosprezar,de jeito algum.

A primeira vez que ouvi falar dele,fora da esfera “mesa redonda e transmissões de futebol”,foi numa Placar de 1997 em que falava sobre a ascensão deste senhor rotundo sempre com um charuto na boca.A parte que mais me chamava a atenção,ou me horrorizava dependendo do meu humor no dia era quando cortou a fiação elétrica durante uma reunião do conselho deliberativo em 1969,isso quando entrou no clube!Escândalo,admitido por ele muitos anos depois virou “a mão de Eurico”.E a partir daí,sua ascensão foi meteórica.Foi vice-presidente do conselho deliberativo,presidente do mesmo até surgir para a grande mídia nos anos 80 quando repatriou o então grande ídolo Roberto Dinamite do Barcelona.E não parou mais.

Até se tornar presidente do clube pela primeira vez em 1997.Lembro muitíssimo bem de assistir a um jogo de um dos meus tricolores prediletos,o Paraná Clube atuando contra o Vasco em um Brasileirão do ano de 1999.E de repente,ele cercado de assessores e seguranças adentra o campo para reclamar contra o arbitro (atual comentarista de arbitragem da Globo)Paulo César de Oliveira sobre sua atuação.Naquela peleja maluca,um péssimo jogo por sinal,a torcida gritava “Eurico,Eurico”.E ali fui perceber a condição de mito de uma pessoa que se mataria para defender o próprio clube.

Não é uma pessoa que passaria incólume pela história,vide os casos Bank of América e CPI do Futebol,mas ironia ou não,o que quase acabou com sua carreira no clube foi justamente a pessoa que citei acima:Roberto Dinamite,que tinha se elegido presidente do Vasco,mas sua incompetência administrativa fazia dele um inerte e mais um daquele sistema corrupto que tinha pegado mais um.Me lembrei do caso Patrícia Amorim no Flamengo pela semelhança,mas isso é pra outro papo.

Eurico Miranda tinha virado entidade suprema no clube e uma pessoa,apesar dos casos de corrupção,alguém acima do bem e do mal,justamente porque ele defendia o clube e o fazia funcionar,a sua maneira.Trouxe grandes jogadores de volta,como Romário e Bebeto,recriou o clássico contra o Flamengo e até peitou a Globo na final da Copa João Havelange de 2000 com um patrocínio do SBT.Deveriam se lembrar…..

Não acredito que esteja escrevendo somente um obituário de alguém que teve culpa no cartório e muito crédito na praça,mas temos que contextualizar alguém que tinha paixão,e talvez tenha pago por isso.Mas,quem o faria nos dias de hoje?O futebol raiz morre um pouco hoje.

Donde estás El Comandante,y ahora?

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Ontem,25 de novembro,o atual presidente de Cuba,Raúl Castro anunciou em rede nacional que o ex-presidente e comandante-em-chefe do país caribenho havia falecido,aos 90 anos,completados em maio deste ano.E assim o penúltimo vestígio de guerra fria se vai,lembrando que ainda existe o embargo econômico norte-americano na ilha.
Pelo que li e leio nos jornais e redes sociais,e por sinal dos tempos obviamente o mundo se dividiu entre os que acham que Fidel era um “libertador da opressão capitalista” e os que acham que ele era um “repressor das liberdades individuais”.Ele foi tudo isso e muito mais,diria.
Diria que sem ele não teríamos lados bons na história,mas para isso precisamos sim,ver o contexto histórico que existiu nesse país pequeno do tamanho do estado de Pernambuco.Desde a independência de Cuba perante à Espanha em 1898,ou seja,na porta do século 20 até a revolução de 1959 muita mas muita água rolou por baixo e por cima do que nós pensamos.
Temos que dizer que desde a independência até a revolução,o país foi governado com mão de ferro pelo general Fulgêncio Baptista,aliado(ou seria marionete?)dos Estados Unidos e de seus interesses,dos mais claros aos mais escusos,isso tudo envolvendo a antiga máfia de Nova York e Chicago que controlava o jogo,os cassinos,a prostituição e o comércio de bebidas dentre outras atividades,isso tudo com vistas grossas por todos os governos que ali passaram.
Ao mesmo tempo que isso acontecia,o povo cubano vivia em total miséria,sem educação,sem sistema de saúde e sem liberdade.Qualquer um que o desafiasse seria fuzilado.Até que os irmãos Fidel e Raúl Castro resolveram agir por conta própria,e por isso foram presos e exilados no México em 1956,onde se encontraram com o recém-chegado Ernesto Guevara.
Guevara havia,como foi muito bem contado no livro e no filme Diários de Motocicleta,feito uma viagem com seu amigo Alberto Granado .Depois dessa aventura,ele decidiu se juntar aos irmãos Castro para viajarem clandestinamente até Cuba,se juntarem a oposição na batalha de Sierra Maestra e depois tomarem o poder em 1 de janeiro de 1959.
Voltando a Fidel,ele praticamente fez o contrário que seu “antecessor fez”:estatizou as empresas americanas que estavam na ilha,monopolizou os meios de produção,prendeu e fuzilou seus opositores,incluindo muitos dissidentes e se aproximou da fiel patrocinadora do sistema,a União Soviética.
Nesse período,houve um grande avanço social e econômico em todos os ambitos.Em troca,Cuba comprava carros(que ainda existem por lá) e demais produtos soviéticos.Mas isso se reverteu em 1991,quando houve o colapso do regime e Cuba se viu sem saída.Para piorar,gastou-se neste período o equivalente a mais de 300 milhões de dólares para a organização dos Jogos Pan-Americanos em Havana.
Temendo o fim do regime,Castro inaugurou o que seria o período especial,ou seja,seriam permitidos que pequenos negócios fossem abertos restritivamente no pais.Mas o que houve foi que essa parte “livre” de Cuba era apenas permitida aos turistas estrangeiros.E para os cubanos,foi instituída a famigerada caderneta de racionamento,em que se compra alimentos básicos,sempre em falta.
Felizmente,ou infelizmente para os adoradores Fidel,devido aos problemas de saúde que apresentava,decidiu sair do comando do pais em 2008 e deixar nas mãos do seu irmão.O que se viu a seguir foi uma seguinte porém lenta abertura ao capital e a possibilidade dos cubanos saírem do pais quando quisessem.
Agora com a noticia de sua eminente morte,e a eleição de Donald Trump para a presidência americana um monte de pontos de interrogação surgiram e colocam o futuro em xeque.Será que Cuba vai virar um estado capitalista novamente?Será que a revolução continuará,mesmo senil e debilitada?

Essas são apenas DUAS questões que um dia(quem sabe amanhã)sejam resolvidas.O que se sabe é que essa figura não estará entre nós e que o futuro é incerto.Mas ao menos numa coisa ele tem razão:Até a vitória sempre,com ou sem mim.

E acabaram as eleições!Ufa ou um novo recomeço?

 

vin-diesel-curitibano

Bem,amigos,estamos finalmente em outubro,e faltando apenas mais dois meses para acabar com mais um ano louco de nossa historia,sobretudo a brasileira,temos tempo para relembrar e/ou repensar o que foi essa trajetória,mas sem antes de um evento muito importante dela.
Sim,foram as eleições,talvez a mais importante delas,pelos fatos a seguir:1)não temos doações de empresas,que foram importantíssimas para o bem(campanhas sem fim)e para o mal(ocorrência de caixa 2);2)maior fiscalização das mesmas por parte do poder público,que enfim,pode colocar as campanhas sobre os seus braços em todos os pontos possíveis e 3)o jogo acabou para aqueles que acham que estão acima da lei,e em muitos casos,muitos dos políticos e dos partidos envolvidos se deram muito mal.
Mas foi uma eleição interessante,sobretudo para mim mesmo,que participou como mesário dela.E pela terceira vez consecutiva,diga-se.Deveria pedir música no Fantástico?Talvez,mas o que fiquei mais intrigado,tendo essa cancha toda não foram somente os colegas desta edição que foram maravilhosos,ao contrário de outras vezes,mas em ver como que o curitibano e o brasileiro ainda votam muito mal.
Vamos a um exemplo simples:o candidato do PSL que atende pelo nome de (pasmem)VIN DIESEL CURITIBANO.Parece que,basicamente acharam um cara parecido com o ator de Velozes & Furiosos,o convenceram de que poderia dar um caldo nessas votações e o pior é que quase deu.Foram exatamente 1.472 votos para o pelego.E pensar que com mais dois mil votos,segundo o quociente eleitoral,ele poderia ser eleito!Imaginem que esse cara faria na câmara de vereadores?Talvez faltasse um Paul Walker também…..
Mas,o exemplo acima não foi o único,tampouco vai ser o último.Há milhares de Vincents Diesel nas eleições ainda,mas o que fico mais puto é que isso faz parte do jogo democrático,o mesmo que nos garante as eleições nos faz também essas peças.E é uma coisa muito louca isso.Não faço julgamento de valor destes,mas digo que não acrescentariam nada a nossa combalida política.
Mas também,essa eleição foi marcada pelo agora combalido também Partido dos Trabalhadores.Segundo o TSE,o partido conseguiu eleger apenas 2.876 vereadores e 39 prefeitos,num recuo considerável de mais de 40% em relação a 2012.Fruto,claro,das investigações da Operação Lava-Jato,bem como da crise econômica pela qual passamos.Outra coisa curiosa é que o ex-presidente Lula só não foi pior cabo eleitoral do que uma pedra,visto que até em sua cidade natal,Garanhuns,em Pernambuco,o candidato dele perdeu.
Ai voltando a pergunta da pergunta inicial:será que nós estamos num novo recomeço?Talvez sim,talvez não,isso vai depender de como a economia andará,mas uma certeza é certa:o PT não é mais o partido de antes.Nem no seu berço e minha terra,São Bernardo do Campo,em SP o seu candidato ganhou.Nem para o segundo turno foi.E o pior,perdeu dinheiro e boa parte de sua força política.Talvez seja o caso do partido voltar ao zero e começar a se comportar como um partido de verdade,de preferência menos corrupto.O futuro dirá isso,mas ele já é muito nebuloso para o mesmo.
Enfim,acho que podemos aprender com nossos erros e podemos mudar com eles.Isso é sempre possível,em todas as fases da nossa vida.Não é nenhum absurdo,desde que levantemos e caminhemos.E acho que consigamos isso,com toda certeza.
No próximo post,falarei sobre minha experiência como mesário e de como pode ser tanto uma experiência divertida como um grande saco.E desculpem pelo textão.
See you later.

O Apavoro dos Hinchas

636101146102465270Eu sou muito fã de futebol,não tanto como eu gostaria de ser mas sou.Sou do tipo que é capaz de assistir a futebol 24 horas,e é quase isso que acontece.Então me encaixo na definição fanático,certo?
Pois acredito que essas definições precisam ser MUITO atualizadas depois da partida que assisti ontem na TV.Era Coritiba x Belgrano,valendo pela Copa Sul-Americana,realizada no Couto Pereira,em Curitiba.O jogo foi bem disputado,mas o time argentino acabou se dando melhor e venceu por 2×1,levando uma vantagem para o jogo de volta.
Mas o que mais me impressionou,e deve ter impressionado muita gente,até mesmo os câmeras da Fox Sports,canal que mostrou a partida,foi a grande festa que esse time do interior da Argentina protagonizou,e foi o que me deixou atônito e também com vontade de fazer este texto.
Eram gritos,hinos,canções,milhares de bandeiras e faixas,tudo que a gente se convencionou a gostar de uma torcida de futebol.E os torcedores do Belgrano fizeram tudo isso,e eu fiquei altamente encantado.
Fiquei me perguntando:como que podem fazer uma coisa assim dessas?E a resposta é simples:porque eles podem.Há uma grande diferença entre as torcidas brasileiras e argentinas.As ultimas me parecem muito mais participativas,chegando ao extremo, e cantam o tempo todo,mesmo quando o seu time está perdendo.Também não perdem uma partida para ironizar o adversário e se ironizar também.
Há o outro lado disso,os radicais,também conhecidos como Barra Bravas,violentos ao extremo é verdade.Mas precisamos olhar com este lado de cá para entender que estamos ficamos para trás quando o assunto é animação de estádio.Se passamos vergonha na Copa do Mundo dois anos atrás com uma torcida asséptica,silenciosa e extremamente burra com um ou dois gritos de guerra,os argentinos fizeram um verdadeiro show,parando ruas e cantando até não poder mais.Ou até mais do que podem!
Ao lado dos ingleses,outros fãs na arte do entretenimento simples,esses caras simplesmente arrasaram nas ruas antes e depois do jogo de ontem.E foi algo fora do comum,e infelizmente ficando fora do comum para nós,brasileiros.
Fico aqui pensando:até quando ficaremos a mercê da violência,da CBF,da policia e de todos que acham que festa é bagunça?Ou será que nós,torcedores não podemos mais nos divertir?Pode parecer sacrilégio,mas acho que está na hora de eu virar argentino…..

Wilco e a Preguiça.

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Hoje é sábado e como todos os sábados há sempre aquela sensação de preguiça que ficou me rodeando a semana inteira(assim como em todas as pessoas)e deságua no fim de semana.E sábado parece ser fundamental para essa percepção,não só porque é o próprio fim de semana e o primeiro dia de folga oficial mas porque parece ser um dia feito pra isso mesmo,imagino.
Deus criou o mundo em sete dias,segundo a Bíblia,e a piada mais recorrente diz que se ele tivesse começado no sábado ele nunca teria feito o mesmo.Enfim,parece que há algo muito estranho nos sábados,pelo menos para mim,porque raramente fico morto de cansado depois de uma semana intensa,então eu tenho energia de sobra pra fazer muita coisa,inclusive textos como esse.
Ai você me pergunta:e o que o Wilco,seminal banda alternativa americana,tem a ver com isso?E o respondo:a preguiça.Digo isso porque foi a sensação que tive,assim como de muita gente que ouviu o disco e sentiu a mesma coisa.Mas não uma preguiça no sentido de um serviço porco de uma banda que já fez clássicos como Summerteeth,e principalmente Yankee Hotel Foxtrot,e sim algo com muita leveza,com a característica de levar algo “na maciota” durante as doze músicas do disco,com muita tranquilidade,e versar sobre problemas de classe média americana(que parece ser o grande mote do álbum)de uma forma que você até se encanta.
Não se engane com a capa,a cargo do grande cartunista espanhol Joan Cornellá,esse não é um disco violento nem irônico com a vida.A não ser que essa ironia venha em músicas sobre as mesmas crianças de classe média em Normal American Kids,esse é um lançamento sobre a vida,mais precisamente sobre a vida do vocalista Jeff Tweedy.Muito influenciado provavelmente com o lançamento de Tweedy,banda e disco em conjunto com seu filho mais velho Spencer,que já tratava de assunto sérios com muita leveza e nenhuma pretensão.
É um disco para já iniciados na arte de fazer música do sexteto de Chicago(os curiosos podem começar com os discos já citados ou se quiserem algo mais cru podem procurar A.D,o primeirão de 1995)e deve ser ouvido da mesma forma que alguém acorda neste dia(o texto está sendo produzido num sábado,por sinal).É algo que desce que é uma beleza,tal qual uma cerveja geladíssima.
Esse lançamento com certeza não vai fazer com que a banda ganhe mais dinheiro,mas já fez com que o mundo da música que realmente importa ficasse agitado,e que todos celebrem,como alguns já fizeram quando em atos de promoção do disco,algumas lojas de discos americanas e europeias promoveram audições do disco em vinil(!).E isso vale muito.
Então,faça como nós fazemos nos fins de semana:escute o disco e se divirta,mas não antes de dar aquela espreguiçada…..

Escute Schmilco,o novo do Wilco na íntegra: