O Apavoro dos Hinchas

636101146102465270Eu sou muito fã de futebol,não tanto como eu gostaria de ser mas sou.Sou do tipo que é capaz de assistir a futebol 24 horas,e é quase isso que acontece.Então me encaixo na definição fanático,certo?
Pois acredito que essas definições precisam ser MUITO atualizadas depois da partida que assisti ontem na TV.Era Coritiba x Belgrano,valendo pela Copa Sul-Americana,realizada no Couto Pereira,em Curitiba.O jogo foi bem disputado,mas o time argentino acabou se dando melhor e venceu por 2×1,levando uma vantagem para o jogo de volta.
Mas o que mais me impressionou,e deve ter impressionado muita gente,até mesmo os câmeras da Fox Sports,canal que mostrou a partida,foi a grande festa que esse time do interior da Argentina protagonizou,e foi o que me deixou atônito e também com vontade de fazer este texto.
Eram gritos,hinos,canções,milhares de bandeiras e faixas,tudo que a gente se convencionou a gostar de uma torcida de futebol.E os torcedores do Belgrano fizeram tudo isso,e eu fiquei altamente encantado.
Fiquei me perguntando:como que podem fazer uma coisa assim dessas?E a resposta é simples:porque eles podem.Há uma grande diferença entre as torcidas brasileiras e argentinas.As ultimas me parecem muito mais participativas,chegando ao extremo, e cantam o tempo todo,mesmo quando o seu time está perdendo.Também não perdem uma partida para ironizar o adversário e se ironizar também.
Há o outro lado disso,os radicais,também conhecidos como Barra Bravas,violentos ao extremo é verdade.Mas precisamos olhar com este lado de cá para entender que estamos ficamos para trás quando o assunto é animação de estádio.Se passamos vergonha na Copa do Mundo dois anos atrás com uma torcida asséptica,silenciosa e extremamente burra com um ou dois gritos de guerra,os argentinos fizeram um verdadeiro show,parando ruas e cantando até não poder mais.Ou até mais do que podem!
Ao lado dos ingleses,outros fãs na arte do entretenimento simples,esses caras simplesmente arrasaram nas ruas antes e depois do jogo de ontem.E foi algo fora do comum,e infelizmente ficando fora do comum para nós,brasileiros.
Fico aqui pensando:até quando ficaremos a mercê da violência,da CBF,da policia e de todos que acham que festa é bagunça?Ou será que nós,torcedores não podemos mais nos divertir?Pode parecer sacrilégio,mas acho que está na hora de eu virar argentino…..

Wilco e a Preguiça.

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Hoje é sábado e como todos os sábados há sempre aquela sensação de preguiça que ficou me rodeando a semana inteira(assim como em todas as pessoas)e deságua no fim de semana.E sábado parece ser fundamental para essa percepção,não só porque é o próprio fim de semana e o primeiro dia de folga oficial mas porque parece ser um dia feito pra isso mesmo,imagino.
Deus criou o mundo em sete dias,segundo a Bíblia,e a piada mais recorrente diz que se ele tivesse começado no sábado ele nunca teria feito o mesmo.Enfim,parece que há algo muito estranho nos sábados,pelo menos para mim,porque raramente fico morto de cansado depois de uma semana intensa,então eu tenho energia de sobra pra fazer muita coisa,inclusive textos como esse.
Ai você me pergunta:e o que o Wilco,seminal banda alternativa americana,tem a ver com isso?E o respondo:a preguiça.Digo isso porque foi a sensação que tive,assim como de muita gente que ouviu o disco e sentiu a mesma coisa.Mas não uma preguiça no sentido de um serviço porco de uma banda que já fez clássicos como Summerteeth,e principalmente Yankee Hotel Foxtrot,e sim algo com muita leveza,com a característica de levar algo “na maciota” durante as doze músicas do disco,com muita tranquilidade,e versar sobre problemas de classe média americana(que parece ser o grande mote do álbum)de uma forma que você até se encanta.
Não se engane com a capa,a cargo do grande cartunista espanhol Joan Cornellá,esse não é um disco violento nem irônico com a vida.A não ser que essa ironia venha em músicas sobre as mesmas crianças de classe média em Normal American Kids,esse é um lançamento sobre a vida,mais precisamente sobre a vida do vocalista Jeff Tweedy.Muito influenciado provavelmente com o lançamento de Tweedy,banda e disco em conjunto com seu filho mais velho Spencer,que já tratava de assunto sérios com muita leveza e nenhuma pretensão.
É um disco para já iniciados na arte de fazer música do sexteto de Chicago(os curiosos podem começar com os discos já citados ou se quiserem algo mais cru podem procurar A.D,o primeirão de 1995)e deve ser ouvido da mesma forma que alguém acorda neste dia(o texto está sendo produzido num sábado,por sinal).É algo que desce que é uma beleza,tal qual uma cerveja geladíssima.
Esse lançamento com certeza não vai fazer com que a banda ganhe mais dinheiro,mas já fez com que o mundo da música que realmente importa ficasse agitado,e que todos celebrem,como alguns já fizeram quando em atos de promoção do disco,algumas lojas de discos americanas e europeias promoveram audições do disco em vinil(!).E isso vale muito.
Então,faça como nós fazemos nos fins de semana:escute o disco e se divirta,mas não antes de dar aquela espreguiçada…..

Escute Schmilco,o novo do Wilco na íntegra:

Dilma,conchavos e o que pensamos sobre política

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Dificilmente falo de política por aqui,o blog não serve somente para isso,e há jornalistas mais gabaritados e cascudos para falar disso.Mas tomei a liberdade de escrever não só porque é uma coisa sui generis o que aconteceu hoje,mas também pelo fato de que isso não pode se repetir mais,tal qual a ditadura militar.
Acerca dos últimos acontecimentos,Dilma caiu por causa dela mesmo.Mas ai você me diria que foi uma conspiração contra a sua pessoa,contra o seu governo e tudo mais.Mas daí eu te respondo:e se for mesmo,não teria um por que?E tem mesmo,visto que ela foi uma pessoa dura em todos os sentidos,até mesmo no trato com seus aliados de primeira instância,no caso do PMDB,pois ela não quis agradá-los,e você,caro leitor,tem que saber que em política se você não faz nenhum agrado sequer,tua cabeça vai valer um milhão depois,essa que é a verdade.E qualquer passo em falso pode significar o fim de sua carreira política.
Porque política é assim:para se eleger,você não basta ser conhecido na rua,na vizinhança,na padaria.Tem que ter acordos que costurem esse fato.Também tem que olhar a todos sem distinção para que eles te apoiem,tem que buscar acordos,tomar tantos quantos cafés possíveis e ficar horas convencendo as pessoas,seja num púlpito de campanha,seja no gabinete.É assim que as coisas funcionam.Você pode dizer o que quiser da democracia,mas é fato e tem que aceitar isso.
É necessário olhar para esse texto,assim como para todos que falam do mesmo assunto,de um jeito totalmente sóbrio,sem pressões ou ideias,a não ser a ideia principal sobre a democracia.E ai que conta tudo que estamos falando até agora sobre esse caso.Pois se você comete um crime,como foi o caso,de responsabilidade fiscal,ela tem que ser punida.Nunca me entrou na cabeça que não houvesse provas,sendo que a própria contabilidade a comprovasse isso.
Também não acredito que não houvesse ampla defesa,sendo que ela pode levar advogado e o caralho a quatro até para o plenário,desgastando assim a todos.Nunca acreditei que ela fosse levar essa,por mais que não tivesse interesses por trás,não importa.Houve e pronto.
Enfim,eu só espero com essa balburdia toda que haja uma reforma política clara e séria,fazendo com que o presidente da republica tenha mais consciência em seus atos e faça direito a sua lição de casa,pois pode sofrer as consequências.

Que esse tempo lave a alma das intenções.

Sobre Descendents,adolescência eterna e outras coisas

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Esses dias eu estava “zapeando” os sites que gosto de ler,principalmente os de música em geral e parei em um que tinha uma resenha do novo disco dos Descendents,Hypercaffium Spazzinate.E logo me chamou a atenção,não somente porque por lá tinha a capa de disco com o icônico alter-ego do vocalista Milo Aukerman mas também porque era um lançamento dos Descendents,seminal banda do punk/HC,não só californiano,mas também americano e mundial,que influenciou e ainda influencia muita gente nesse terreno do “hardcore melódico”,e até mesmo do poppy-punk,vide o Blink-182.
E já fazia 12 anos(!)desde Cool to be You,o último disco.E pelas primeiras orelhadas que dei é um disco que,sem nenhum exagero,tem a pegada do clássico Everything Sucks,de 1996,grande disco da década e que ajudou a consolidar o poder da banda e da gravadora que o lançou,a Epitaph.O disco tem grande pegada hardcore e ótimas letras,como das sensacionais No Fat Burger,sobre consumo desenfreado de porcarias e Feel This,sobre o falecimento da mãe de Aukerman,escrita no dia de sua morte(!!).
O que é mais legal dos Descendents e de boas bandas de hardcore são os assuntos perenes,que vão desde a adolescência e passam pela vida adulta,sem pestanejar.Porque são coisas que invariavelmente acontecem comigo,contigo,com todos nós,ou seja,não falta assunto.Mesmo em discos medianos,esse assunto permanece e nos identificamos,e muito.E nem precisa ser um conhecedor das subdivisões do estilo para sabermos disso.
Eu as vezes fico pensando como é ser uma pessoa mais velha,que já passou por várias aventuras,desilusões,fantasias e outras coisas para enfim estar sereno.O problema é que essas questões que coloquei acima são imunes também,e elas permanecem o tempo todo.E para nós,apenas a certeza de que devemos aprender com isso,a conviver de fato.

Seja na escola,na rua,no trabalho,até no condomínio passamos sempre por essas indagações.Me lembro que quando morei num condomínio estavámos sempre com um som no talo na quadra e ouviamos o que fazia a cabeça,e era muito foda.Principalmente os sons dos anos 90,como os Descendents que cito,e era muito divertido.Então,essas coisas sempre se ligam de modo intrínseco.

Enfim,acho que cada um de nós pode fazer algo a respeito disso,e você?

Ouça Hypercaffium Spazzinate na íntegra:

 

 

 

Relâmpago de Ébano

Olá,amigos!

Devido aos famosos contratempos(e outras coisas também),estou retomando este blog após dois longos anos.Segundo o WordPress,desde maio de 2014 pra ser mais exato.E agora estou voltando com algumas novidades.Uma delas é a própria abordagem deste blog.Não,eu vou continuar falando de música,mas resolvi colocar outras coisas interessantes também,tais como situações do cotidiano,reportagens pessoais,visões de mundo,etc.Qualquer coisa que apareça nesta cabeça será devidamente registrada.Por isso estamos aqui,certo?Então,esperemos que agora sem mais interrupções.

Ao trabalho!

E para começar,sem se tratando de Jogos Olímpicos,deste mito do esporte.Vamos lá.

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O que dizer mais de Usain Bolt?Campeão Mundial Junior,da Diamond League,Olímpico,dentre tantas outras conquistas.Realmente não é fácil,com certeza,mas acredito que ainda há para falar desse monstro das pistas,usando um jargão bem batido,mas que ainda serve,como uma calça velha.
Ele que já teve suas próprias dificuldades antes da carreira(infância pobre) e até mesmo durante a escalada(“muito alto” para o atletismo)não o fizeram parar,muitíssimo pelo contrário.O fizeram ir mais longe,ao Olimpo.
Nos jogos Olimpicos de Pequim,em 2008,Bolt não somente bateu seu grande rival,o norte-americano Justin Gatlin,como conseguiu o recorde olímpico dos 100 metros rasos.Ele ainda é o recordista mundial da mesma prova,com 9.69s.E ainda conseguiu ganhar as medalhas de ouro nos 100,200 metros e no revezamento 4x100m nas Olímpiadas de Londres.E o impressionante é que,mesmo com tantas conquistas assim,ele não tira o pé,sempre mantendo o nível de suas provas alto.Isso tudo com as suas “limitações”.
Talvez porque ele,sabendo de duas dificuldades sempre treinou e se aprimorou o suficiente para conseguir atingir o ápice da forma.Foi contra tudo e contra todos,e quando digo todos são todos mesmo!E isso é impressionante,independente da profissão que você trabalha,mesmo que cada uma tenha um nível de exigência diferente.A questão é que você realmente consegue se desvencilhar de todos os obstáculos para dar vazão a sua paixão,a sua vitória máxima.
100….50….5 metros não suficientes para parar este homem.Você acha que sabe tudo sobre este homem,mas não sabe.Ou talvez não entenda o por quê dele ser o que ele é.Mas há muitas coisas para dizer sobre Usain Bolt.Ele não é somente o relâmpago que o batiza tão bem.Ele não é somente uma força da natureza,que desafia as próprias “limitações” da altura para poder se destacar.Ele é um monstro.Ele é o relâmpago de ébano do titulo deste texto.Ele é um raio.

Transmissor – De Lá Não Ando Só

Na vida existem certos momentos que são puramente inesquecíveis.Os primeiros beijos,as primeiras vezes,as primeiras decepções….Enfim,são coisas que lembramos mais porque nos aconteceu primeiramente na vida.
Comigo é a primeira vez que faço um texto como esse para a banda Transmissor.É realmente diferente você passar de mero ouvinte para um “crítico” mais consciente e resignado,preparado para alegrias e decepções.
O terceiro disco da banda mineira é recheado de detalhes,como os que as pessoas falam das primeiras vezes.Assim como nos dois primeiros discos,canções riquíssimas de instrumentos,além dos detalhes que fazem toda a diferença,como na faixa de abertura Queima o Sol.Retiro é uma das melhores faixas do ano.O Que Você Quer Ouvir surpreende com mais guitarras,algo novo no repertório.
Para quem conhece o repertório do grupo,tamanha qualidade não é segredo.Um misto de sonoridade beatle com Clube da Esquina escancarado.Esse talvez seja o segredo em questão,mas é algo que faz toda a diferença para o resultado final.Talvez seja a presença das guitarras,mais fortes do que nunca agora.Talvez seja a mão do produtor Carlos Eduardo Miranda (Raimundos,Skank) no trabalho como um todo.Talvez seja a maturidade batendo na janela da banda.Talvez seja tudo isso e mais um pouco.

Um dos melhores discos do ano,sem dúvida.

Transmissor

Transmissor – De Lá Não Ando Só

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Na vida existem certos momentos que são puramente inesquecíveis.Os primeiros beijos,as primeiras vezes,as primeiras decepções….Enfim,são coisas que lembramos mais porque nos aconteceu primeiramente na vida.
Comigo é a primeira vez que faço um texto como esse para a banda Transmissor.É realmente diferente você passar de mero ouvinte para um “crítico” mais consciente e resignado,preparado para alegrias e decepções.
O terceiro disco da banda mineira é recheado de detalhes,como os que as pessoas falam das primeiras vezes.Assim como nos dois primeiros discos,canções riquíssimas de instrumentos,além dos detalhes que fazem toda a diferença,como na faixa de abertura Queima o Sol.Retiro é uma das melhores faixas do ano.O Que Você Quer Ouvir surpreende com mais guitarras,algo novo no repertório.
Para quem conhece o repertório do grupo,tamanha qualidade não é segredo.Um misto de sonoridade beatle com Clube da Esquina escancarado.Esse talvez seja o segredo em questão,mas é algo que faz toda a diferença para o resultado final. Talvez sejam as guitarras que marcam presença forte nesse registro.Talvez seja a produção luxuosa de Carlos Eduardo Miranda(Raimundos) que tenha feito a diferença.A verdade é que a banda se supera mais uma vez,dessa vez.
Um dos melhores discos do ano,sem dúvida.

Transmissor – De Lá Não Ando Só (Ultra Music)

Preço em média: R$ 20 ou download no site http://www.transmissor.tv